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O ensino de Geografia no século XXI

Escrito em 01 dezembro, 2011 - Comente esta matéria

revistapontocom – O que hoje não se pode deixar de ensinar, na área de Geografia do Brasil, na Educação Básica?
Marcos Ozório - Na Educação Básica é indispensável para a constituição de conceitos geográficos a exposição intensa dos alunos aos diferentes mapas. O pensamento espacial exige muita abstração e os mapas são os melhores aliados que podemos ter para seu desenvolvimento pois nos auxiliam na compreensão dos diferentes arranjos espaciais. Diria que o “indispensável” em termos de conhecimentos sobre a Geografia do Brasil seria o conhecimento crítico da relação entre a realidade econômica versus a realidade social. Por exemplo: o sétimo país mais rico do mundo versus a 88 posição que ocupa em Educação versus que 50% dos domicílios brasileiros não têm saneamento básico. Como e por que esses paradoxos estão presentes?. É importante também destacar o conhecimento da diversidade natural do país e do melhor aproveitamento de toda essa riqueza que o território nos oferece.

revistapontocom – O que é preciso ser aprendido, na área de Geografia do Brasil, pelos alunos na Educação Básica?
Marcos Ozório - O ensino de geografia desenvolve habilidades cognitivas muito importantes: além da compreensão de mundo, dos diferentes arranjos espaciais, percebo que o desenvolvimento de MAPAS mentais (permitem que nos orientemos, localizemos etc) é uma das mais louváveis habilidades legadas pela Geografia.

revistapontocom – Qual é o principal desafio de se ensinar Geografia do Brasil, nos dias de hoje, para os alunos na Educação Básica?
Marcos Ozório – O desafio maior refere-se à falta de condições (escola pública) e à pouca valorização do conhecimento em nossa sociedade (tanto na pública quanto na privada).

revistapontocom – Se ensina Geografia do Brasil, nos dias de hoje, da mesma forma que se ensinava no final do século XX? Se algo mudou, o que mudou e por quê?
Marcos Ozório – Do final do século XX para cá não houve muitas mudanças, a não ser as decorrentes do uso de novas tecnologias (ex: GoogleEarth) que podem apoiar significativamente a constituição de conceitos geográficos. É importante evitar que a Geografia seja uma disciplina escolar de caráter informativo, com ênfase na memorização (momentânea, pois em seguida a uma prova dessa natureza, os alunos esquecem boa parte do que estudaram) e que se volte mais para a promoção do conhecimento cientìfico, tão desvalorizado e tão necessário para um país rico que pretende se desenvolver para além da sua economia, construindo uma sociedade menos dependente dos países do norte.

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